Humor,tumor e tremor.. é tudo com amor vó!

Cristovão Colombo estava errado: a Terra é chata.Chata até demais. Nós, brasileiros, por exemplo. Nós somos triste. A gente coloca abacaxi na cabeça e rebola pra turista ver, é verdade, mas essa falsa alegria só mascara nossa adoração positivista pela ordem, comendas, faixas e medalhinhas. Uma agremiação de sambistas é uma “escola” que, geralmente, tem um nome tipo “Acadêmicos” do Morro do Meliante Malucão. A ABL mais parece Concurso de Fantasias do Municipal, Categoria Luxo. Todo mundo de fardão desfilando pra la e pra cá. Nós gostamos é do pseudismo, do filistinismo, da falsa cultura, da poesia concreta e da prosa caótica. Tudo sem graça mas com muita purpurina em cima.

Mas cuidado, existe uma platéia para cada piada e uma piada para cada platéia. Afinal, o humor, quem diria, também está relacionado ao desenvolvimento econômico de um país.Exige formação e informação. Não existe autor de humor, só co-autor. Se a platéia não participa, não saca o contexto, não entende o sarcamos, não faz sinapse, bye bye humor, não entende a ironia.

Ah sim a Ironia, o Aurélio diz que vem do grego eironía e significa “interrogação” ou “dissimulação”. A ironia era um método filosófico bastante utilizado por Sócrates. Digamos, por exemplo, que Platão tenha chegado todo esbaforido querendo contar ao mestre o insight que acabara de ter.

Platão: Sócrates, Sócrates. Tive uma idéia genial!

Sócrates: Ih, o cara achou a Atlântida de novo…

Platão: Olha só: tem uma caverna e todo mundo vive la dentro…

Sócrates: Sua obsessão por buracos e regiões molhadas diz muito sobre você, sabia?

Platão: As pessoas estão acorrentadas na caverna. E tudo que elas enxergam são sombras na parede…

Sócrates: E de onde vem a luz?

Platão: Hã? Bem, tem uma tocha atrás deles…

Sócrates: E quem acende a tocha?

Platão: E o que importa quem acende a tocha atrás deles?

Sócrates: É simples. Se você, Platão, acende a tocha, eles vão pensar que você é uma espécie de Deus da Tocha. Aí, quando o virem, vão gritas: “A tocha aí atras, Platão, a tocha aí atrás!”.

Platão: Ah, você nunca leva nada a sério. Vou pra casa.

Sócrates: Passa no mercado e traz cicuta …

Cidade Limpa!

A partir de ontem a NATURA, uma das líderes do ramo de cosméticos em terras tupiniquins, começou a veiculação da campanha “Todo Dia, Toda Noite”.

Na cidade de São Paulo, a empresa instalou enormes letreiros com as palavras “RELAXE, DESCANSE e CALMA”, os letreiros foram instalados na Praça da Sé, Rua Heitor Penteado e Avenida Europa.

Nas telinhas exibiu o comercial com as mesmas palavras com a belissima trilha de “Bjork – It´s so quiet”.

Alias, comercial que já foi veiculado em Maio (antes do dia das mães) e agora é veiculado antes do dia dos pais.

Hoje o prefeito da cidade Gilberto Kassab se manifestou avisando que iria mandar retirar os letreiros porque fere a lei Cidade Limpa.

A autorização para colocação dos letreiros foi dada pela CPPU (Comissão de Proteção a Paisagem Urbana) com a alegação de que seria uma poesia concreta, já que as palavras não contém nenhum logotipo ou ligação com a marca.

Poesia concreta, 3 palavras em locais super movimentados da cidade? o Décio Pignatari deve estar gritando de seu túmulo “16 pessoas enganadaaaaas”, em tempo, belíssimo trabalho da Prefeitura que mostrou que está ligada no tal Marketing de Guerrilha.

Atualmente a única poesia concreta que a prefeitura ainda não apagou foi a frase “O AMOR É IMPORTANTE PORRA”, espalhada nos locais nobres da cidade.

Falando em cidade limpa, me lembrei de um comercial que o David Lynch fez para a prefeitura de Nova York, na verdade é uma campanha para os cidadãos não jogarem lixo nas ruas, foi muito eficaz pela forma abordada pelo grande cineasta:

Sugiro pedirmos ao Mojica um comercial na mesma linguagem para a campanha da Lei Cidade Limpa.

Megaconstruções

megaconstrucoes

Megaconstruções é com certeza  um dos programas mais intrigantes dos canais Discovery, retratando o cotidiano das últimas mega-obras do globo terreste e o mais incrível é que dos ultimos dez programas que assisti, as dez obras ficavam em Cingapura, Bahrein ou Emirados Árabes.

O dinheiro do petróleo parece não acabar, está acontecendo no leste do planeta um acontecimento semelhante ao América no começo do século XX.  Gigantescos arranha céus para firmar o forte poder ecônomico da região, efeito semelhante ao do cara com estatura baixa que compra um carro enorme para se autoafirmar perante a sociedade.

Porém, a semelhança entre Nova York dos anos 30 e Dubai dos anos 2.000  não param por ai, a maioria dos trabalhadores dessas mega obras trabalham em regime semiescravo, no caso de Dubai são muitos indianos que trabalham em péssimas condições além de outros imigrantes ilegais, no caso dos Estados Unidos   a situação era mais precária ainda.

Imigrantes europeus que chegavam a Nova York eram colocados na construção civil, o desenvolvimento norte americano fez muitas vítimas entre esses trabalhadores, engenheiros não se importavam com a segurança dos trabalhadores, mas sim em bater recordes de prazos para ganhar um maior lobby perante o governo, atualmente um dos principais materiais de registro dessa época é do excelente fotográfo Charles Ebbets.

Charles Ebbets é considerado um dos principais fotógrafos da evolução da Big Apple, trabalhava para o New York Times,  porém Ebbets arranjava seus “freelas” registrando a evolução das construções dos arranha céus nova iorquinos.

Charles Ebbets em ação.

Charles Ebbets em ação.

Uma das fotos de maior repercussão de Ebbets se chama Lunchtime atop a Skyscraper tirada em 1932 na construção do RCA BUILDING.

Outra famosa foto de Ebbets se chama Resting on a Girder, tirada no mesmo ano de 1932 na construção do Rockefeller Center.

Essas duas fotos e outras de Ebbets estão no Bettman Archives em Nova York, de propriedade do Sr. Bill Gates.

Hoje em dia pro camêra do Megaconstruções ir até o 69º andar e gravar a colocação de uma ponte entre dois prédios é fácil fácil, quero ver fazer o que o Sr. Charles Ebbets aprontava no século passado.

Rio 40 Graus

Esta última sexta fui ansioso assistir Rio 40 graus, filme que integra a programação do 4º Festival de Cinema Latino Americano de São Paulo.

Em 2006, preparei um trabalho sobre cinema brasileiro focando no diretor Nelson Pereira dos Santos para a faculdade, era um trabalho simples, típico seminários universitário, porém, que se transformou em um marco na vida deste que vos fala.

O processo de escolha no grupo sobre o tema foi totalmente meu com apoio dos colegas, lembro que estava na fase “CULTURA BRASILEIRA”, li a trilogia de Glauber Rocha, o livro do Saraceni e mais meia dúzias falando sobre a cultura brasileira dos ano 40 até hoje em dia.

O primeiro questionamento foi do professor sobre porque a escolha de Nelson Pereira dos Santos, a resposta foi básica, “porque dos diretores brasileiros fodas, é um dos únicos vivos” e também porque na ocasião ele tinha acabado de lançar o “Brasilia 18%”.

No decorrer do trabalho e da pesquisa conseguíamos quase todos os filmes do nelson, somente Rio 40 Graus e Rio Zona Norte que não.

No centro de São Paulo, existe um sebo especialista em guerra e em cópias de filmes super obscuros (não pornográficos), porém não continha nada sobre o Nelson, até o primeiro curta de Glauber Rocha eles tinham.

Me informei que Rio 40 graus foi lançado em VHS mas era uma raridade total acha-lo nos lixos das locadoras, e as duas únicas cópias em peliculas que restaram, estavam em Los Angeles.

Me conformei de imaginar o filme somente pelos comentários lidos em livros, blogs e sites.

No mesmo ano aconteceu o 1º Festival de cinema latino americano de Sp, na abertura iria ter um seminário sobre os rumos do cinema na america latina, lá estaria o Nelson Pereira dos Santos, ligo para o Pancho (colega da faculdade) e vamos la pegar uma entrevista com o Nelson.

Era de manhã, o seminário iria começar as 10, agendei com o pancho para ele chegar as 11:30 e gravarmos a entrevista, assim não afetaria o trabalho dele, já que na hora do almoço ele estaria la comigo,  já eu dei um cano mesmo no trabalho.

O seminário começa, observo Nelson de longe, um senhor simpático, de fala mansa como bom carioca, apesar de ser paulista. Observo todos seus movimentos, o pancho chega exatamente as 11:35 , Nelson sai do seminário e corro para arranjar a entrevista, ele aceita na maior,  vamos nos dirigindo até o salão do auditório onde ele também daria entrevista a UNICAMP, sentamos em uma mesa com o pancho de um lado, eu do outro e o Nelson no meio, checamos luminosidade e aúdio de forma rápida e eficaz.

Começamos a entrevista ao meio dia em ponto, Nelson prometeu que seria rápido, teria um vôo de volta a cidade maravilhosa as 14:30, aceitei e expliquei o motivo da entrevista.

Comecei perguntando sobre Rio 40 graus, Nelson lamentava o seu mais querido filme estar quase em extinção, porém dava detalhes enriquecedores sobre a produção e a censura sobre a pelicula.

A entrevista fluia e Nelson se espantava com a quantidade de informações que eu tinha sobre sua vida e carreira. Na mesma semana o mesmo Nelson iria tomar posse na Academia Brasileira de Letras, seria o primeiro cineasta a entrar para o clube, Nelson ocuparia a cadeira que um dia Castro Alves ocupou, depois de 60 anos ele iria mais uma vez tomar posse de uma cadeira que já foi de Castro Alves, no clube de leitura da escola ele ocupou a cadeira que o mesmo Castro ocupou anos antes, isso o surpreendeu bastante, enfim, a conversa durou 1 hora, saiu de la contente, e me avisou que seria díficil assistir Rio 40 graus de novo.

Pois é, felizmente Nelson estava enganado, assisti Rio 40 graus em 2008, quando lançaram um DVD com Rio 40 Graus e Rio Zona norte, na verdade acharam um VHS e passaram pra DVD então a qualidade era péssima, e de se pensar que o filme foi feito em 56, a qualidade não era nenhum “FULL HD” , mesmo assim assisti em casa admirando o trabalho do mestre.

Porém 4 anos depois do encontro, tive a noticia de que passariam o Rio 40 GRAUS em 35mm no mesmo festival que o entrevistei, me preparei a sexta feira inteira para isso, bom segui rumo ao Cinesesc com euforia total.

Na porta do cinema, retiro meu ingresso e espero por dois amigos, até que o próprio Nelson aparece, vou até ele, me reapresento, surpresa, ele se lembra de mim, me pergunta que nota ganhei no trabalho, avisei que a nota foi 10, porém a bagagem cultural foi imensa, lhe falo dos meus projetos ele sorri e comenta “você tem o espirito certo”, pronto, naquele momento me senti como aquelas fãs de bandas adolescentes na porta do hotel, berrando,chorando e gritando, eu apenas me calei e falei um “Obrigado”.

Chegando o Alex e Denis e nos adentramos ao cinema, primeira surpresa da noite, não era a pelicula de 35mm, e sim uma cópia do mesmo DVD que assisti, da péssima qualidade do VHS , a segundo surpresa da noite, o som extremamente baixo, a compêtencia do festival deixava a desejar, senti vergonha pelo próprio Nelson estar la e se sentir enganado também.

Porém assistir ao belissimo filme em DVD em uma tela grande foi bem diferente de ver em casa, o filme começa com uma bela vista do Rio e o belissimo samba  de Zé Keti (um dos grandes parceiros do Nelson),  “A voz do Morro”.

O filme é sobre o Rio, o morro, esse contraste do morro e o asfalto , os personagens, a cidade, é um puta filme, cinema novo brasileiro de verdade, feito de paixão, sem pensar em dinheiro, isso que é arte, isso que é cinema, feito do povo pro povo. Alguns críticos teimam em falar que Rio 40 graus é o avô de Cidade de Deus, o que é um erro e dos mais graves, os dois filmes não tem NADA, exatamente NADA parecidos, no máximo a coincidência das locações serem no Rio de Janeiro.

Jece Valadão comenta sobre a produção do filme:

A noite acabou com uma cerveja no Charm e discussões afloradas sobre Nelson e sua belissima filmografia.

ps: Você pode assistir ao filme no YOUTUBE, basta dar aquele clique abaixo